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EUPHONIUM, BARÍTONO ou BOMBARDINO?!!
Já há alguns anos contemplando fatos pitorescos e passíveis de uma reforçada camada de informações distorcidas no que diz respeito à classificação e nomenclatura dos instrumentos da Família dos Sax-Horns (nomenclatura atribuída ao belga Adolph Sax), principalmente o Euphonium e o Barítono, constatei a necessidade de expor tais fatos embasados em pesquisas, induções ao melhor esclarecimento e exposição da busca pela verdade em relação ao “caso Euphonium” no Brasil.
Ilustrarei em seguida uma partícula destes episódios ímpares:
- Feito o orçamento em uma oficina de instrumentos musicais para uma simples reforma de um Euphonium, o preço deste serviço seria 15% mais caro do que um Bombardino.
- Instituições privadas e ou públicas voltadas ao Ensino Musical que ministram cursos destes instrumentos sem ao menos darem-se conta do que são estes instrumentos em gênero, número e grau.
- Se há quatro válvulas no Bombardino é Euphonium, se no Bombardino existem três válvulas então é Barítono.
- Alguns Maestros, Mestres-de-banda, Professores, Instrumentistas, Compositores, estudantes, ou seja, uma parte da grande massa musical tomam escolhas incoerentes ao classificarem os instrumentos, contribuindo para que a “bola-de-neve” fique cada vez maior e tumultuada.
Seria cômico se não fosse trágico...
Não é o número de válvulas que determina a natureza do instrumento, mas sim suas medidas. No caso dos Trompetes-píccolo, por exemplo, existem os que têm quatro e três válvulas e não é pelo aumento ou diminuição desses recursos que sua classificação (essência) se corromperá, pelo contrário, continuará sempre a ser Trompete-píccolo. Assim como o Trombone Tenor independe de ter ou não válvula para ser Tenor.
Portanto existem Euphoniuns e Barítonos com quatro válvulas, assim como também podem haver os mesmos com três válvulas. Poderemos ir ainda mais longe nos estendendo aos Alto-Horns, que há muito tempo já existem fabricações destes instrumentos com quatro válvulas.
É incrível como a falta de informação chega a alterar prestações de serviços como no primeiro dos fatos acima citados. Então quer dizer que se eu tiver um Euphonium ou Barítono, e apresentá-lo simplesmente como Bombardino teria um desconto de 15% no orçamento? Se a moda pegar violinos Stradivarius serão cotados como “cavaquinhos-sinfônicos”, nada contra o cavaquinho.
Restou o tempo e a paciência para que a persuasão voltada à Verdade fale mais alto que o comodismo da mediocridade, e que as vítimas deste mal passem a fazer uso do antídoto que é o “Pensar” e escolher com sensatez.
Buscar a verdade neste caso envolve a espeficidade com exatidão, a essência do objeto analisado, a realidade e genuidade. Mas, para isso, é primordial colocar em evidência a causa do problema, porque o problema não se resolve? E, ou, porque ainda não se resolveu?
Antes de qualquer abordagem é preciso alertar aos mais nacionalistas e adeptos da contínua vernaculização (linguagem sem estrangeirismo) a respeito do conceito insuficiente, generalizado e obscuro que se reflete no Bombardino; pois, o termo Euphonium atualmente já é universal, portanto qualquer preconceito baseado em estrangeirismo invasivo para evitar o uso do Euphonium seria medíocre e aquém da relação com a globalização.
Por exemplo, se um estudante desejar comprar alguns dos concertos mais importantes da Literatura Euphonística pela Internet, dificilmente achará algum material subentendido por Bombardino. Portanto, tal preocupação também é pedagógica.
É óbvio que o termo técnico e o jargão (gíria profissional, linguagem corrompida) abrange todas as artes e ciências, mas pelo menos na música a linguagem deve ser clara e principalmente acessível, pois indiscutivelmente já estamos na Era do Conhecimento e da Informação. Sendo assim, temos por termo técnico o Euphonium e por jargão o Bombardino.
O termo técnico (Euphonium) tem a desvantagem de não ser compreendido por todos, tem a vantagem de fixar um sentido preciso para a palavra (verdade, especificidade), que já contribui, em muito, por nossa busca da verdade. Enquanto o jargão (Bombardino) adquire a popularidade de ser conhecido por todos evitando uma eventual extinção do instrumento. A transparência da idéia de que o Euphonium não é um rebuscamento (requintamento, embelezamento) do Bombardino deve ser colocada em discussão, pois não se trata de uma modernização ou sofisticação do termo, mas sim da Especificação (Verdade). Apesar de que a modernização é uma tendência e pode ocorrer em qualquer campo da existência Humana.
Mas pergunte-se, caro leitor, é o Barítono ou o Euphonium O BOMBARDINO / ou
Ambos são Bombardino? Exemplificarei aritmeticamente este simples raciocínio, concernente às várias questões e situações que podem ocorrer por falta de maior clareza ao nomear e classificar os instrumentos:
- (Barítono) + (Euphonium) = Bombardino / ou
- - Barítono = Bombardino / ou
- - Euphonium = Bombardino / ou ainda...
- - Barítono = Euphonium
- - N.D.A. (Nenhuma das Alternativas)
Como foi exposto linhas atrás sobre algumas confusões geradas que, às vezes, além de pitorescas chegam a ser bizarras, mencionarei algumas características peculiares de cada instrumento para que a clareza na identidade destes sejam analiticamente feitas:
EUPHONIUM (Sax-Horn Barítono)- “Euphonium”: palavra vinda do grego “Euphonia” que significa “Belo Som”. É o mais novo instrumento da família dos metais.
Instrumento típico de Bandas em geral (Sinfônicas, Militares, Marciais, Musicais, etc). Sua extensão é a da região “barítono” (por isso a nomenclatura científica: Sax-Horn Barítono, que é atribuída à classificação de voz e não de timbre) devido à sua construção cônica, calibre e campana de medidas largas (Large Bore), acarretando num som doce, aveludado e poderoso (cheio). Teve como predecessores a *serpente e o *ophicleide (séc. XIX).
Como instrumento solista a literatura é vasta e ampla. Na Orquestra Sinfônica tem o seu lugar reservado por compositores como R. Wagner, R. Strauss, G. Holst, M. Ravel, Mahler, L. Janacek, A. Ginastera, S. Barber, etc. Muitos Maestros e compositores chegam a fazer saudáveis analogias do Euphonium com o Violoncello, dizendo que este é o “Cello da Banda Sinfônica” por imensas possibilidades técnicas virtuosísticas, sonoridade, extensão amplificada e a forma peculiar com que o timbre se funde com outros instrumentos.
Por causa da gramática local o termo Euphonium também pode ser encontrado da seguinte forma: Eufônio – Eufonium – Euphonio.
Por ser o instrumento mais novo da família dos metais veio passando por algumas alterações em sua construção física nos últimos 30 anos. Sendo assim, podemos encontrar muitos modelos diferentes no mercado atual. Ainda há tendências de novas modificações e atualizações no moderno Euphonium. Porém, não implicando que os antigos Euphoniuns deixem de sê-los.
* Serpentão, serpente - Instrumento de sopro, de bocal e longo tubo curvilíneo, em forma de S duplo, originário do séc. XVI e muito usado em bandas militares. O tubo era feito de várias partes sendo mais tarde substituído pela tuba ou pelo Ophicleide.
* Ophicleide (oficlide ou oficleide) – Do grego ophis (serpente) + kleides (chaves).
Grande bugle com chaves do séc. XIX inventado pelo francês J.H. Asté. Tinha o corpo em forma de U, semelhante a um fagote, bocal em forma de xícara e de 9 a 12 chaves. Era um instrumento barítono afinado em dó ou em si bemol. Embora usado na orquestra por Mendelssohn e Wagner, foi substituído pela Tuba com válvulas. No Brasil chegou a ser muito usado nas bandas e em conjuntos instrumentais dos chorões.
BARÍTONO (Sax-Horn Tenor) - Sua extensão é a da região “tenor” devido à sua construção cilíndrica, calibre e campana que são mais estreitos que as do Euphonium, possibilitando sons com respostas mais ágeis e brilhantes, ou seja, na maioria das vezes as “aberturas” e “clarinadas” são atributos característicos deste instrumento.
Para efeito de curiosidade, muitas Orquestras e Bandas (Sinfônicas, Brass Ensembles) principalmente na Inglaterra, usam simultaneamente o naipe de Barítono e Euphonium, pois são instrumentos distintos, desse modo, possibilitando que o trabalho do compositor seja mais rico e amplo.
BOMBARDINO - “Bombardino”: palavra que vem do italiano “bombarde”. Significa: um canhão de cano curto de calibre largo, ou seja, uma arma, canhão de guerra. O termo é muito comum principalmente na maioria de Igrejas, bandas de aspirantes a estudantes, corpos militares, etc.
O que tem acontecido há muito tempo no Brasil é que, tanto o Euphonium como o Barítono vêm sendo aplicados como Bombardino, ou seja, de acordo com nossa equação (Barítono) + (Euphonium) = Bombardino. Mas certifique-se que esta equação é falsa, e importante relembrar que Barítono é um instrumento totalmente distinto do Euphonium e desta maneira estes dois instrumentos não podem simultaneamente ser convencionados e reduzidos à um terceiro elemento denominado “Bombardino”. Essa operação irracional e infundada seria como: 1 + 1 = 3. Portanto, justifica-se o conceito insuficiente, generalizado e obscuro que é próprio deste termo.
O termo “Bombarde” (Itália) tem ligação com os “Shawns” que foram ancestrais europeus da família de oboés e predecessores do fagote. O Baixo-Shawn foi chamado de “Bombardone Italiano” e o Tenor Shawn chamado simplesmente de “Bombarde”. Por uma questão de modismo e “cultura” regional, aderiu-se o termo Bombardão à Tuba e, equivocadamente, Bombardino (diminutivo) para o Euphonium e o Barítono.
Até nossos dias este condicionamento ambíguo vem sendo alimentado de tal maneira a ponto de confundir uma parcela dos próprios líderes de vários gêneros musicais, talvez por falta de pequenas pesquisas.
APÊNDICE I
Ao meu ver os maiores precedentes destas “falhas” de nomenclatura são atribuídos à alguma porcentagem de compositores que desconhecem a extensão, timbre, leque de possibilidades técnicas do instrumento e classificam os intrumentos ao léu de acordo com seus conceitos. O problema é maior do que parece, não se restringe apenas ao Euphonium e ao Barítono mas também a outros instrumentos como o Flicorno, Tuba Tenor, Cimbasso, Tenor-Horn e demais membros da família dos Sax-Horn, que constantemente são confundidos um com o outro, ou simplesmente reduzidos a Bombardino. Não entrarei em detalhes sobre os últimos quatro instrumentos por hoje estarem praticamente extintos no Brasil, por este motivo o caráter desta abordagem que fica restrito ao Euphonium e Barítono é justamente o motivo contrário: o uso maior em nosso país.
Na atual situação não adianta chorar pelo leite derramado, mas sim encarar a realidade (Verdade) e fazer as devidas correções nas lacunas existentes para que a “bola-de-neve” não se torne maior, pois, as expectativas e esperanças são por exemplo, que num futuro, não muito distante, um iniciante que adquirindo de um Alto-Horn, que também é membro da família dos Sax-Horns, realmente saiba que executa um instrumento rico em possibilidades e não uma “Xiquinha” que por uma tradicional forma de composição fique limitado apenas à execução de contra-tempos rítmicos; que o Trompete-Baixo (Bass Trumpet) que sempre foi digno de execuções alla Wagner e Stravinsky, seja reconhecido como tal e não como “Pistonzão”.
APÊNDICE II
Mas enfim, quando usa-se o termo Bombardino ou.., se é que se usa?
Alguns “acham” que o Bombardino pode ser o “Euphonium Brasileiro”, talvez em respeito à cultura regional e o trabalho do compositor, principalmente em gêneros como choro, marchas, dobrados, hinos, etc. À exemplo disto o próprio Pixinguinha foi “bombardinista”.
Porém, o propósito desta abordagem é informativa e de incentivo pesquisador, deixando ao leitor as opções existentes para seu vocabulário e classificações nomenclaturais com o principal intuito de que o problema seja resolvido e que o “Poblema” se extingua.
Bombardino não é instrumento, é um apelido ou um jargão como foi dito anteriormente dado ao Euphonium e Barítono, que estes sim são instrumentos por essência e genuidade (Verdade, instrumentos (objetos) reais, dignos por excelência). O uso do termo Bombardino pode atrasar o acesso a informações como Literatura, Discografia, Cursos, Festivais, Aulas, Fontes autênticas, pela falta de transparência na busca pela verdade.
E o que fazer com todo material existente inerente ao Bombardino?
Gostaria de ressaltar que convém questionar a informação que os responsáveis (compositores, maestros, professores, etc...) tinham em mãos ao consagrar e generalizar o termo Bombardino podem ser totalmente distorcidas e insuficientes. Estariam eles à par sobre a distinção destes instrumentos?
Por falta destes conceitos palpáveis e racionais, pessoalmente acho que, em respeito ao trabalho e honra de todos que contribuíram para o levantamento deste material, este acervo deve ser preservado e estar à disposição dos mais interessados. Mas, que em contrapartida contínua surjam cada vez mais novos cursos, composições, concursos, festivais, alunos, professores, etc, voltados à “Escola de Euphonium e Barítono no Brasil” com sua devida Literatura específica e abrangente. Utopia? Quem sabe... porém uma coisa é certa: a estimativa de uma idéia que possa ser organizada, inteligível e evoluída (melhoria continuada), talvez nada menos do que já temos na praça em termos de Mundo.
Prezado leitor, se você tem vinculo qualquer que seja em relação à qualquer um destes instrumentos acima mencionados, procure realmente questionar-se, à saber, qual deles realmente é o que tem ligação consigo, ou, como diriam, os filósofos pré-socráticos: “Buscar a luz da verdade”.
Sendo assim se conclui o raciocínio:
- (Barítono) + (Euphonium) ? Bombardino
- Barítono ? Bombardino
- Euphonium ? Bombardino
- Barítono ? Bombardino
Para refletir:
“Será que o compositor “x” escreveu a peça “y” realmente pensando em um Euphonium, ou este pensava em um Barítono e definiu o Sax-Horn Tenor (Barítono) como um Euphonium (Sax-Horn Barítono)?”
Texto de: Ezequiel de Sousa Oliveira
Euphonium Solo da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.
Professor na Faculdade Mozarteum de São Paulo.
Professor no Conservatório Villa-Lobos de São Paulo.
Bibliografia:
“Dicionário de Música ZAHAR” – zahar editores, (editoria: Luiz Paulo Horta)
“Groves Music Dictionary”
“A Brief History of the Euhonium and Baritone”
“Você toca o quê?” Brian Bowman
“O Euphonium” by Philip Scowcroft
“Euphonium ou Barítono???” – by David Werden
“O melhor de Pixinguinha” – Maria José Carrasqueira
“ A Arte da Tuba e do Euphonium” – Harvey Phillips and William Winkle
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