Manfredo Clélio De Vincenzo, nascido na Rua dos Pescadores, no tradicional bairro do Cambuci, São Paulo, reduto da colônia italiana era filho de um musicista napolitano, professor de violino e bandolim formado pela Academia di Sta. Cecília de Roma, onde promoviam reuniões para discutir e executar música, sendo hoje o principal Conservatório da Itália, Prof. Giovanni De Vincenzo tornou-se conhecido por ter ganho o 1° prêmio no Concurso de Bandolim realizado em Roma em 1909. Foi convidado a tocar com a Orquestra do Teatro Scalla de Milão, recebendo na ocasião medalha de ouro entregue pela majestade Regina Madre Margherita em Roma. Imigrou para São Paulo em 1910, trazendo consigo a esperança do seu trabalho.

Evidentemente, a movimentação e o clima que envolviam a família De Vincenzo acabariam por dar frutos e dessa forma Manfredo dotado de talento nato e hereditário fez sua caminhada artística. Formou-se em 1937, pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, em Piano, Violino e Harmonia Superior, passando a dar aulas e tocando na Orquestra da Rádio Gazeta e Tupi durante 10 anos, sob a regência do Maestro Armando Belardi. Foi aluno dos Maestros Francisco Casabona, João Gomes de Araújo, Zacharias Autuore, Agostinho Cantu e Mário de Andrade.

Em 1945, venceu o Concurso pelo Departamento de Cultura Municipal do Estado de São Paulo, ocupando o cargo de Professor da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, por 37 anos.

Participou das temporadas Líricas, Balets apresentados no Teatro Municipal de São Paulo atuando sob regência dos Maestros de renome internacional como Rosinski, Genaro Papi, Heitor Villa-Lobos, Humberto Bardi, Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri, Nino Stinco, Souza Lima e outros. Foi integrante na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro na comemoração do IV Centenário de São Paulo. Esteve presente tocando no Palácio da Alvorada e na Praça dos Três Poderes, sob a regência do Maestro Eleazar de Carvalho, na inauguração de Brasília.
Integrou-se em todos os festivais de inverno de Campos de Jordão.

Participou da orquestra da companhias estrangeiras que passavam por São Paulo e Rio de Janeiro em direção à Buenos Aires como Caruso, Gighi, Maria Callas, Cláudio Muzio, Pavarotti e bailarinos como Nijinsky, Margot Fonteyn e Nureyew.

Em 1948, os irmãos Osvaldo e Manfredo lançaram a semente do futuro Conservatório, resultado do convívio com a orquestra e os maestros. Nesse ano conheceram Heitor Villa-Lobos, de onde nasceu uma grande amizade, que serviu de estimulo para a concretização da idéia de fundar o Conservatório, sendo oficializado em 1953 na presença do Maestro Camargo Guarnieri. Fato muito significativo na sua história ocorreu em 1957, com a presença do compositor Heitor Villa-Lobos e sua Senhora Arminda Villa- Lobos inauguraram oficialmente o Conservatório, deixando gravado no livro ouro documentando este fato histórico. Assim cresciam seus ideais. seu ponto de vista pela educação artística, na qual se nutria para aguçar a sensibilidade e colorir sua arte. Com sabedoria e bom senso, conseguiu conjurar sua sensibilidade de educador à ação prática. Introduziu na escola uma pequena orquestra formada por alunos, ex-alunos e professores.

Em 1994 foi à Itália participando da Orquestra de Câmara do Teatro San Cassiano, Veneza. Seguindo para Viena (Áustria). Atuou em atividades didáticas durante 64 anos, sendo titular das cadeiras: violino, viola, música de câmara (prática) e Prática de Orquestra. Vivenciou 48 Colações de Grau do Conservatório. sendo coordenador da programação musical com sua orquestra, regendo 48 concertos em vários teatros.

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